Um relatório divulgado ontem terça-feira (11) revela que a maior parte do mundo vive sob níveis alarmantes de poluição do ar e que apenas sete países ao redor do globo atendem às diretrizes da OMS (Organização Mundial da Saúde) para a qualidade do ar.
A pesquisa, produzida pela empresa suíça IQAir e intitulada como Relatório Mundial de Qualidade do Ar, analisou e compilou dados de mais de 40 mil estações de monitoramento em 138 países no ano passado.
O Chade, na África, lidera o ranking como o país com o ar mais sujo do planeta. Lá, os níveis de partículas finas (PM2,5) são 18 vezes maiores que o limite recomendado pela OMS, que é de 5 microgramas por metro cúbico.
Essas partículas finas são como “poeirinhas” invisíveis. Elas são tão pequenas que conseguem entrar no nosso corpo, chegar ao sangue e causar problemas de saúde, como dificuldades para respirar e até doenças mais graves.
A OMS diz que o ar é seguro quando tem no máximo cinco dessas poeiras por metro cúbico. Ou seja, este é o limite para o ar ser considerado saudável. No Chade, o ar está bem mais sujo do que isso. São cerca de 90 “poeirinhas” por metro cúbico.
O órgão diz que 99% da população global vive em áreas que não atendem aos padrões de qualidade do ar. Cerca de sete milhões de pessoas morrem todos os anos por exposição prolongada a essa condição.
Países e cidades mais prejudicados
Chade é seguido por Bangladesh, que tem um ar com 15,6 vezes mais partículas finas que o recomendado, e Paquistão, com índices 14,7 vezes maiores que o ideal. Na esteira, está a República Democrática do Congo, com 11,6 vezes mais poeira no ar que o indicado.
A quinta posição do ranking é ocupada pela Índia, da qual o ar tem dez vezes mais sujeira do que o limite recomendado pela OMS. Por lá, estão seis das dez cidades mais poluídas do mundo, segundo o relatório.
Byrnihat, uma pequena cidade industrializada no nordeste do país, é a pior delas. Ela é diretamente seguida pela capital Nova Délhi e por Karaganda, o quinto município mais populoso do Cazaquistão.
Entre os 138 países analisados, do mais para o menos poluído, o Brasil ocupa a 73ª posição, atrás de nações como México, Coreia do Sul e África do Sul. Por aqui, a concentração de sujeira invisível no ar é três vezes maior que o valor de referência da OMS.
Desafios globais
Embora o número de cidades monitoradas pelo estudo tenha crescido de 7.812, em 2023, para 8.954, em 2024, especialistas alertam que a real extensão do problema pode ser ainda maior do que o apontado no relatório.
Na África, por exemplo, há apenas uma estação de monitoramento para cada 3,7 milhões de pessoas, o que dificulta a obtenção de dados precisos. Países pobres tendem a ter ar mais sujo, mas muitas vezes carecem de infraestrutura para medição.
Apesar do cenário preocupante, há sinais de esperança. Cidades como Pequim (China), Seul (Coreia do Sul) e Rybnik (Polônia) conseguiram melhorar a qualidade do ar nos últimos anos.
O avanço foi possível, segundo o relatório, por causa de regulamentações mais rígidas sobre emissões de veículos e indústrias, além de investimentos em energia limpa e transporte público.
Na China, a poluição por PM2,5 caiu quase pela metade entre 2013 e 2020. Apesar disso, Pequim ainda tem níveis similares aos de Sarajevo, na Bósnia, que é a cidade mais poluída da Europa pelo segundo ano consecutivo.
Locais menos poluídos
Segundo o relatório, apenas sete países conseguem manter o ar limpo o suficiente para atender às diretrizes da OMS. Eles são Estônia, Austrália, Nova Zelândia, Islândia, Granada, Barbados e Bahamas.
Também entram nessa lista cinco estados menores (territórios autônomos ou pertencentes a outro país): Montserrat, Porto Rico, Ilhas Virgens Americanas, Polinésia Francesa e Bermudas.
FONTE: Portal Correio